GOVERNO CABRAL: SÉRGIO CÔRTES É CONDENADO POR DESVIAR VERBAS DA SAÚDE PÚBLICA

Sérgio Côrtes é condenado por desviar verba da saúde para propaganda
O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e o subsecretário de Comunicação Social,
Ricardo Luiz Rocha Cota, foram condenados no último dia 5 pela Justiça do Rio por terem
aplicado em propaganda.

O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e o subsecretário de Comunicação Social,
Ricardo Luiz Rocha Cota, foram condenados no último dia 5 pela Justiça do Rio por terem
aplicado em propaganda verbas destinadas à saúde. Também este mês, Côrtes sofreu outro
revés: uma auditoria do Ministério da Saúde concluiu que ele é o “responsável direto” pela
assinatura de um contrato superfaturado para o fornecimento de refeições para o Instituto
Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), em 2006, quando Côrtes dirigia a instituição.
Ontem, após ser procurado pelo EXTRA, o secretário negou as acusações e anunciou que
deixará o governo Cabral no próximo dia 31 de dezembro. Planeja mudar-se para os Estados
Unidos, para estudar na Universidade Harvard, em Boston.

No primeiro caso, Côrtes e Cota foram condenados como réus solidários, em uma ação
popular movida contra o governo do estado pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Rio,
Jorge Darze, por lesarem os cofres estaduais e “a vida e a saúde dos cidadãos do Estado do
Rio”.

Em 2009, foram publicadas no Diário Oficial duas resoluções conjuntas que transferiram um
total de R$ 10.157.500 do Fundo Estadual de Saúde para a Subsecretaria de Comunicação Social da Casa Civil. A sentença da juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Simone Lopes da Costa, anula as duas resoluções e determina que o governo do estado devolva o dinheiro da Subsecretaria de Comunicação Social para a Secretaria de Saúde, acrescido de 1% ao mês e correção
monetária.

Côrtes e Cota deverão dividir com o estado o pagamento de um valor pelas perdas e danos que causaram - o montante ainda será fixado -, além das custas processuais da ação que os
condenou por terem empregado verba destinada à saúde em propaganda institucional.

Já o segundo caso antecede a entrada de Côrtes na secretaria de Cabral. No começo deste ano, após a Controladoria Geral da União encontrar irregularidades em contratos de hospitais
federais do Rio com empresas terceirizadas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
determinou uma auditoria em um contrato do Into com a empresa Padre da Possa Restaurante Ltda. Esta investigação concluiu agora que Côrtes foi o responsável pelo prejuízo de R$ 3.430.718,47 em 2006. O ministério determinou que o dinheiro seja devolvido.

Segundo o relatório da auditoria, a que o EXTRA teve acesso, o contrato foi superfaturado.
Cada garrafa de 600 ml de água, por exemplo, custou até R$ 2,46 ao Into. Em compras feitas
por outros hospitais, o valor foi R$ 0,72.

Dinheiro poderia ter pago três UPAs Com os R$ 10 milhões desviados para propaganda, a Secretaria de Saúde poderia ter financiado 368 cirurgias de transplante de rim, comprado 106 ambulâncias cegonhas ou construído e equipado três UPAs com capacidade para 300 atendimentos ao dia.

A Procuradoria Geral do Estado, que defende também os dois secretários, entrou com recurso
contra a condenação. Segundo o órgão, o governo apresentou, à época, sua defesa. Para a juíza Simone Lopes da Costa, no entanto, os recursos descentralizados da saúde não se prestaram nem a recuperação e ma nutenção dos hospitais e melhorias no sistema de atendimento aos pacientes dos postos de saúde - como alegou o estado - nem a eventos e divulgação de temas relacionados à saúde - como justificou Côrtes.

Segundo a sentença, os contratos assinados pela Subsecretaria de Comunicação Social tiveram como objeto a propaganda do governo, além do pagamento do serviço de assessoria de imprensa. A decisão conclui que houve lesão ao patrimônio público.

“Ainda que a verba não fosse vinculada, configuraria desvio de finalidade utilizar tal verba com publicidade em detrimento do serviço direto de saúde, diante do sem número de ações de improbidade, questionando a ausência de leitos, tratamentos hospitalares, dentre outros, sem mencionar as ações distribuídas por particulares que visam a obtenção de medicamentos”, afirma a juíza, na sentença. Outros dirigentes.

A auditoria do Ministério da Saúde também apontou como responsáveis pelo prejuízo no Into
outros três ex-diretores da instituição. As defesas dos quatro não foram aceitas pelos
auditores. O EXTRA não conseguiu contato com os responsáveis pela empresa Padre da Posse.

Côrtes se defende
A assessoria de imprensa do secretário afirmou ontem, por nota, que ele vai “apresentar sua
defesa”. “O procedimento licitatório foi feito dentro da regularidade, estando o preço global
dentro dos padrões. Ao assinar o contrato, o secretário se baseou em parecer da comissão de
licitação do Into, que afirmava a regularidade e que a contratação era vantajosa ao poder
público”, diz a nota. Segundo a assessoria, Côrtes também pretende estudar no Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT).

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